Preciso de você
(Ademir Rodrigues e Luiz Wilson)

Encoste em mim venha me faz carinho
Cansei de viver sozinho eu preciso de você
Este seu jeito provocante de menina
Me seduz e me fascina, vivo louco por você

Se for preciso enfrentar barra pesada
Pode ficar sossegada, pois eu também sou machão
Não tenho de enfrentar os seus parentes
Mesmo que sejam valentes pra ganhar seu coração

Chegue perto de mim, não tenha medo não
Eu preciso de você, você é minha paixão
Vai até delirar ao sentir o meu calor
E eu vou navegar nas ondas do seu amor

Quando eu a vi passar lá na minha rua
Eu logo fiquei na sua e não lhe esqueci jamais;
Hoje lhe espero e como sempre de costume
Fico louco de ciúme se lhe ver com outro rapaz

Sei que você está carente de carinho
Me deixe só um pouquinho eu sentir o seu calor
Pra acender a chama ardente da paixão
E de coração pra coração unir pra sempre o nosso amor!

Chegue perto de mim, não tenha medo não
Eu preciso de você, você é minha paixão
Vai até delirar ao sentir o meu calor
E eu vou navegar nas ondas do seu amor

 

Em defesa do forró
(Luiz Wilson)

Já vemos gente na defesa do forró
Nos grandes centros hoje se curte o baião
A garotada balança ao som da zabumba
Xote, Frevo, Marcha e Rumba já não é Som do Sertão
Nosso forró já rompeu tantas fronteiras
Nossos artistas cantam com mais união
Já penetramos nas escolas, faculdades
E a alta sociedade aderiu à tradição

De Norte ao Sul, todo numa voz só
Todo o Brasil se uniu pelo forró

Tem tanta gente já conhecendo este embalo
Seja na roça, na cidade ou no sertão
Curte o forró com honra e sem preconceito
Com todo o respeito ao Luiz, rei do baião
Apaixonante, aconchegante e estimulante
Nosso forró vem transmitindo emoção
Vem pro forró e esqueça esse tédio
Forró é o melhor remédio pra afastar a depressão

De Norte ao Sul, todo numa voz só
Todo o Brasil se uniu pelo forró

 

Coisas do Nordeste
(Luiz Wilson e Patrício Cruz)

No meu Nordeste tem açude e vaquejada
Lá tem de tudo que você imaginar
Tem o vaqueiro que corrre atrás do boi
O agricultor em sua terra a semear

Lá tem forró e as grandes noites de novenas
Lindas morenas enfeitando o meu lugar,
Lá na caatinga tem o cheiro da jurema
Tem a rolinha, o beija-flor e o sabiá
Ai que saudade que eu tenho ôô
Vou voltar pro meu lugar áá
Pra ver o Sol no amanhecer
E andar nas noites de luar

 

Aconteceu o amor
(Luiz Wilson e Patrício Cruz)

Aconteceu o amor entre você e eu
Aconteceu, aconteceu
Aquele sonho, bom virou verdade
Que felicidade, aconteceu!

Passamos tanto tempo esperando
Mas o destino não se esqueceu
E quando menos se esperava
Aconteceu o amor entre você e eu

É melhor tarde do que nunca
É melhor pouco do que nada
Agora estamos felizes
Pra sempre minha amada

Aconteceu o amor entre você e eu
Aconteceu, aconteceu
Aquele sonho, bom virou verdade
Que felicidade, aconteceu!

 

Retrato falado
(Luiz Wilson e Patrício Cruz)

Me afastei abandonei a nossa história
Até tentei uma nova relação
Fiz de tudo pra tirá-la da memória
Confesso me enganei, pois não tirei do coração

Nosso passado me provou foi tão marcante
Mesmo distante não consegui te esquecer
Tô carente de você perto de mim
Não possoviver assim só me completo com você

Pra te recordar mandei fazer teu retrato falado
Que me fez voltar ao passado e reviver o nosso amor
Como de costume ao comprar o meu perfume
Me lembrei do seu ciúme e aumentou a minha dor

Diz pra mim, diz pra mim
Que a nossa história ainda não chegou ao fim
Só você, só você, tem o remédio que vai me satisfazer

 

Coração de pedra-sabão
(Luiz Wilson e Passos Camargos)

Já decidi que vou tentar de esquecer
Que o teu amor só me deu decepção
Se eu fiz de tudo para conquistar você
Te dei amor, te dei prazer, te amei com o coração

Você vivia tão carente de carinho
O meu caminho eu dividi só com você
Me apaixonei, cicatrizei tua ferida
Eu vivi a tua vida sem a minha tu viver

Por que seu coração é de pedra-sabão
Não teve amor, só deslizou na minha mão
Por que seu coração é de pedra-sabão
Te dei apego, te dei meu aconchego
Mas você só quis chamego e me deixou na solidão

 

Fama de machão
(Duval Brito)

Você diz que sou violento que tenho fama de machão
E diz que não me namora porque ignora se sinto paixão
Eu nunca vi homem valente que não tivesse um coração
E para quem não acredita Maria Bonita ganhou Lampião
E para quem não acredita Maria Bonita ganhou Lampião

Oh, menina não me faz ingratidão
Não existe homem valente se não existir a razão
Oh, menina me tira da solidão
Vem ser minha Maria Bonita
Que eu quero ser seu Lampião

Vem alegrar meu cangaço, dormir nos meu braços
Me amar no chão
Vem alegrar meu cangaço, dormir nos meu braços
Me amar no chão!

 

Parente acomodado
(Luiz Wilson)

Te rebola compadre que a vida é dureza
Tu só quer mordomia, acordar meio-dia
E já sentar à mesa

Veja vem minha gente, hospedei um parente
Que só quer sossego
Foi morar lá em casa prometendo logo arranjar um emprego
Passou-se um mês e dois, aumentou o arroz, dobrou minha despeza
Na hora do almoço ele quer carne sem osso e ainda quer sobremeza

Te rebola compadre que a vida é dureza...

Chego em casa cansado já lhe encontro deitado vendo televisão
Sobre emprego eu pergunto e ele foge do assunto sem explicação
Diz que está sem sorte mas que lá pro Norte ele não vai voltar
Até bebeu fiado no boteco do lado e deixou pra mim pagar

Te rebola compadre que a vida é dureza...

Não tive outra saída e o padrão de vida já tá mesmo à toa
Despedi a empregada e cortei a mesada da minha patroa
Prestação tá vencida, o barzinho sem bebida, aluguel atrasado
Tudo isto porque aceitei acolher lá em casa um barbado

Te rebola compadre que a vida é dureza...

 

Cabo de vassoura
(Duval Brito e Luiz Wilson)

Minha mulher é danada de valente
Quando se zanga parente serpente
Por qualquer coisa me pede explicação
E se não convence aí tem confusão
Por qualquer coisa me pede explicação
E se não se convence aí tem confusão

Pega o cabo de vassoura, começa o arregaço
Me bate na cabeça, me bate bate no espinhaço
Me bate no bumbum, faz a maior baderna
Outro dia a malvada me acertou no entre-pernas. Ai!

Tomei cachaça pra me dar coragem
Cheguei em casa fiz a maior bobagem
Falei pra ela vou te abandonar
Ela disse eu duvido tu vai ter que aguentar
Falei pra ela vou te abandonar
Ela disse eu duvido: tu quer mesmo é apanhar!

Pega o cabo de vassoura, começa o arregaço
Me bate na cabeça, me bate bate no espinhaço
Me bate no bumbum, faz a maior baderna
Outro dia a malvada me acertou no entre-pernas. Ai!

Ói não faz isso comigo, violência só destrói
Pancada de amor é bem melhor que não dói

 

Pássaro sem ninho
(Luiz Wilson)

Sei, sei, sei que você
Sei, sei, sei não vou ficar
Já tentei te esquecer
Fiz de tudo, mas não dá

Viver sem teu amor e sem teu carinho
Eu me sinto tão perdido como um pássaro sem ninho
Não dá pra te perder pois eu te estimo
É pra você que canto, é pra você que rimo

Vem depressa, não me deixe louco
Vamos dançar um xote numa sala de rebôco
Vamos dançar um xote que pra mim é muito pouco

Sozinho sem você meu mundo é escuro
Eu não tenho presente eu não tenho futuro
E se preciso for até te imploro
É por você que grito, é por você que choro
Vem depressa não me deixe louco
Vamos dançar um xote numa sala de rebôco
Vamos dançar um xote que pra mim é muito pouco

 

O velho agricultor
(Luiz Wilson e Patrício Cruz)

Canto meu verso para o velho agricultor
Reconhecendo seu valor por sua forma de plantar
Ela agora já tem seu rosto enrugado
Seu andar modificado mas não pára de lutar

A sua enxada é sua arma mais potente
Agricultor, cabra valente, homem da mão calejada
O cansaço é invisível no seu rosto
Ele tá sempre disposto e não teme qualquer jornada

Sua experiência vale um bom troféu
Para o velho agricultor eu tiro o meu chapéu

É muito cedo na hora que o galo canta
Quando ele se levanta e bota lenha no fogão
Toma um café muitas vezes apressado
Pensando lá no roçado como se fosse o patrão

Não há relógio que controle o seu horário
O Sol é seu calendário, seja em que tempo for
Cada estação ele sonha com a colheita
Sua fé sempre respeita e trata a terra com amor

Sua experiência vale um bom troféu
Para o velho agricultor eu tiro o meu chapéu

 

Direitos iguais
(Duval Brito e Luiz Wilson)

Oh, meu Deus, que viver é esse nosso
São tantas coisas que eu quero, mas não posso
Oh, meu Deus, tenho direito mas não posso
Desfrutar bem tudo aquilo que é nosso

eu queria ver a terra produtiva
Cada sem terra ter um lote pra plantar
Eu queria ver todo mundo empregado
O aposentado não pagar pra trabalhar

Eu queria ver nosso povo sofrido
Bem assistido em todos hospitais
E a renda pública bem distribuída
Na mediada dos direitos iguais
Porque são muitos que têm muito pouco
E são poucos que têm muito mais...

Oh, meu Deus, que viver é esse nosso...

Eu não queria ver tanta gente excluída
Casa e comida não era pra falar
Eu não queria ver criança desnutrida
Nas avenidas, pés no chão a mendigar

Eu não queria ver tanta gente no lixo
Igual a bicho tentando se alimentar
Eu não queria ver discriminação
Nem divisão de classes sociais
Porque são muitos que têm muito pouco
E são poucos que têm muito mais...

Oh, meu Deus, que viver é esse nosso...

Eu queria ver promessas cumpridar
E não apenas campanhas eleitorais
Ver mais respeito com os direitos do indígena
E mais justiça dos nossos policiais

Eu não queria ver massacres nos presídios
Eu não queria ver tanta corrupção
Eu queria a nossa população
Desfrutando dos direitos iguais
Porque são muitos que têm muito pouco
E são poucos que têm muito mais...

 

Maravilhas do Nordeste
(Luiz Wilson)

Não dá pra descrever as maravilhas do Nordeste
No sertão e no agreste tem de tudo um pouco
O canto da cigarra é motivo pra farra
O sertanejo se amarra esquece do sufoco

O canto da cigarra é motivo pra farra
O sertanejo se amarra esquece do sufoco

Mesmo em seca medonha o sertanejo sonha
Confia no plantio sem ver água no rio
No canto do acapã, no vôo da rebaçã
O nordestino espera e não se desespera

Em qualquer tempo as festas
Lembram São João e São Pedro
Tem forró, frevo e chamego, tem maracatu e baião
Tem sarapatel, carne de bode e carneiro
O cabra arranja dinheiro nem que seja no Japão!

 

Dê lembrança à Dona França
(Duval Brito e Luiz Wilson)

Se você for me faça um favor
Dê lembrança, não vá se esquecer
Eu não queria que você fosse embora
Mas você
Quer ir agora se for... dê

Dê lembrança à D. França, não vá se esquecer
Dê lembrança à D. França, não vá se esquecer

Eu vou ficar sentindo muita saudade
Sei que vou sentir saudade de um dia lhe rever
Mas vou arranjar alguém pra lhe substituir
Agora já pode ir se for... dê

Fico torcendo por sua felicidade
Só espero que mais tarde não venha se arrepender
Pois será tarde pra você se lamentar
Mesmo assim querendo vá e se for... dê

Fico torcendo por sua felicidade
Só espero que mais tarde não venha se arrepender
Pois será tarde pra você se lamentar
Mesmo assim querendo vá e se for... dê

Dê lembrança à D. França, não vá se esquecer
Dê lembrança à D. França, não vá se esquecer

 

O grilo da prima
(Duval Brito e Luiz Wilson)

A minha prima parece que ficou louca
Qualquer dia levo ela no asilo
A minha prima parece que ficou louca
Qualquer dia levo ela no asilo

Com tanto bicho bonito pra se estimar
E ela foi inventar de criar agora um grilo

Antes eu tinha até vergonha de falar
Mas agora eu não peço nem sigilo
Ela não faz nem os deveres mais de casa
E passa o dia inteiro ajeitando o seu grilo

Ela dá banho no grilo, dá massagem no grilo
Bota perfume no grilo e puxa nas barbas do grilo

Ela dá banho no grilo, dá massagem no grilo
Bota perfume no grilo e puxa nas barbas do grilo

 

Tem parelha não
(Duval Brito e Luiz Wilson)

Como é bom festa na roça, vou ficar até o fim
Olá seu "botequineiro", bote logo uma pra mim
Vou dançar o frevo-forró ao som do acordeom
Frevo-forrozear é bom, é bom, é bom, é bom
Tem parelha não
Frevo-forrozear é bom, é bom, é bom, é bom
Tem parelha não

Coisinha diga seu nome quer tomar um gole tome
Se ficar comigo a gente come, bebe, dança e some
Mangeri-mangericão, cheiro bom do meu sertão
Você me dá sua força e pega o meu "galhinho" na mão

Apagaram o lampeão, o Sol rompeu a aurora
A festa se acabou e eu fiquei com meu amor
Coisinha vamos embora